Como podemos formar uma sociedade, se cada qual tiver unicamente seu evidente interesse egocêntrico? Além disto, não deveríamos primeiro pensar no que significa sociedade - ou por que afinal uma sociedade? Se partirmos de cada um de vocês, individualmente, talvez cheguemos a uma resposta. Será que vocês são capazes de prover ou satisfazer todas as suas necessidades? Será que poderiam manter a nossa psique feliz e, no entanto, ser independentes de todas as outras pessoas? Pois bem, aqui está uma questão que é tanto mística como filosófica: Os homens formam a sociedade em função de certas necessidades e certos interesses comuns que os unificam, mas será que a própria sociedade não tem algo a ver com a criação do homem, isto é, uma influência decisiva sobre ele? Essa união é para cada ou para com o indivíduo? Digamos que num círculo representa a sociedade, a nação ou o Estado formado pelo homem. Trata-se de uma entidade que o homem deu existência. O poder coletivo de que a sociedade é dotada pode ser por ela transformado em idéias, princípios, políticas e leis, que se irradiam e se difundem de volta aos indivíduos. Vamos considerar esta questão da seguinte maneira: O material com que a sociedade trabalha é apenas aquilo que cada ser humano nela introduz. Isto constitui o seu poder, um poder maior do que o de cada indivíduo. Mas, a sua finalidade, o uso que a sociedade faz desse poder, não pode se elevar acima ou ter valor maior do que aquilo com que os indivíduos tenham contribuído coletivamente para a sociedade. Por exemplo, se tudo o que o homem deseja fazer é organizar outros homens numa sociedade com o fim de defesa mútua da fraqueza individual, então não temos mais do que uma sociedade organizada para fins militares ou de defesa, como, por exemplo, a antiga Esparta. Tal sociedade não pode devolver ao indivíduo outra coisa além dessa defesa, em princípio e na prática. Por outro lado, se nós, por meio de harmonização e meditação, chegamos a outras concepções, então podemos ter algo superior para oferecer à sociedade. Podemos chegar à conclusão de que a verdadeira felicidade e a paz entre os homens, coletivamente, dependem de que certas qualidades de sua natureza sejam expressas. Estas qualidades, em pensamento e ação, têm de ser transmitidas pelo indivíduo à sociedade, ou seja, à mente dos outros indivíduos de que a sociedade consiste. Tal sociedade, tal conjunto unificado de mentes, reflete-se então na espécie de cultura, na moral, no caráter e no idealismo, sobre o indivíduo. Torna-se uma motivação muito maior para estes objetivos do que aquilo que o indivíduo ofereceu isoladamente.

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