Tentarei nas linhas que se seguem não fugir do foco em questão. Eu acho que é completamente errado permitir-se ficar preocupado com problemas psicológicos ou morais a menos que possamos ver claramente a simplicidade entremeios a complexidade da verdade. Tudo que vemos em nossa sociedade, como exemplo, da impunidade, da corrupção, do jogo de interesses desenfreado, não passa de um veneno moral para todos nós, e para alguns sua ação será mais terrível do que a de outros. (Vide o caso recente de suspeita de enriquecimento ilícito do Ministro Palocci).
Então, qual é a melhor forma de dimensionarmos um grave problema social, se não temos uma instuição governamental ou um instituto incapaz de distinguir entre o certo e o errado? Não previne, não é um exemplo de conduta, e é totalmente incapaz de reintegrar quem quer que seja na sociedade.
O estado de espírito das pessoas sugere a inconformidade, porém estas entram em um grande conflito de idéias quando pensam na mudança de padrões ou do nosso "ethos". Todos dizem: "Eu preciso de paz, eu quero a paz social, eu quero a solução para a crise social e política." Entretanto, não há uma atitude positiva da sociedade para que a mudança de determinados padrões ocorram. Ora, toda a vida é a contraparte de um conflito. Cada respiração que desenhamos representa uma vitória dos nossos pulmões na nossa luta pela vida no Universo. Não podemos ter paz e viver sem um perfeito domínio de circumposição, e isso é entender sobre o que é viver e não viver na estagnação social ou da estagnação social.
Os atos de extrema violência são a conseqüência que precisamos resolver sobre esse mar revolto de pensamentos rodopiantes, para entender um ato de vontade inconsequente ou até mesmo insana. É com firmeza e determinação, que ao invés de dizer: "Que devo fazer?" Precisamos entender que o processo de solução das graves crises sociais é algo dinâmico e não uma condição estática.
Não posso mera e simplesmente indicar as chaves mestras que solucionem tais conflitos, só que entendo que todos os conflitos geram consequências e essas consequências podem ser o indício de uma grande mudança social que não só poderá, como acredito deverá ocorrer paulatinamente, mas isto só será possível com a reforma interior do ser humano. Deve ser um processo individual que crie reflexos sociais.
Penso que, por exemplo, nosso sistema pedagógico deveria criar não uma nova escola, mas sim uma profunda reforma em sua maneira de ensinar e enxergar o mundo. Devemos aprender, devemos ter a obrigação de ensinar as pessoas a aprenderem. Devemos ensinar a maestria e não sermos os mestres que puramente ensinam. As pessoas precisam ser mestres da vida e aplicar seu conhecimento como uma cadeia intrínseca de ajuda mútua sem a todo momento estar esperando alguma benesse em troca. Não importa afinal, o quanto se acredita que sabe sobre alguma coisa, pois sempre há algo novo para aprender. E este aprender será reflexivo em nossa sociedade como algo mais coeso, uma força que impulsiona para uma nova evolução existencial, um equilíbrio entre a nossa consciência e o nosso coração.
Toda mudança drástica pode ser vista inicialmente como algo destrutivo, porém é a possibilidade da mudança, da reforma exterior em nosso Ethos que esperamos ansiosamente. A cada amanhecer ocorre um processo de regeneração no ser humano, e a sociedade também terá cedo ou tarde o seu alvorecer como um ciclo de mudanças que se farão necessárias para sua continuidade. Isto é um processo natural que já vimos por toda a história da epopéia humana. O problema em todas as grandes convulsões sociais é que elas vem regadas a uma histeria popular, mas esses são outros pontos que podem nos encaminhar a uma transição para uma sociedade mais humana. Só então, teremos uma nova estrutura social. A evolução também é um processo interno, muito mais do que externo. É um processo de interiorização e o que veremos será reflexivo a esse processo. A sociedade não deve mais esperar um único dirigente político para se espelhar ou para esperar ser guiada. Ela deve sim buscar as respostas dentro de seu próprio contexto, se adequando as novas realidades tecnológicas e evolucionais que o ser humano se encontra.

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