por Francisco Marengo
O conhecimento do homem pelo homem, de sua natureza, de sua fisiologia, dos limites de sua capacidade de entendimento são o caminho na busca pelo entendimento dos mistérios. Quando o ser humano está em luta com sua essência, este não pode ser considerado como um "ser" dono de sua "Vontade", e que portanto se distancia de fato de seu papel num determinado plano material de existência. A essência do indivíduo constitua-se por fatores absolutamente naturais a todo ser vivo, mas se esta essência não é compreendida, o indivíduo afasta-se do seu caminho pois não compreende a si mesmo.Todos sabemos que usamos uma ínfima parcela de nosso cérebro, cuja maior parte permanece um enigma até para os mais experimentados pesquisadores. A concepção de Sócrates, no entanto, procura de uma maneira sistematizada de levar o ser humano ao desenvolvimento pleno de suas potencialidades, assim fazendo alicerçado ao conhecimento pleno das leis naturais o homem poderá conceber esta natureza dentro de si, e compreender plenamente o desenroscar de forças sutis sobre os planos da matéria, podendo transmutá-las dentro de si. Assim fazendo sua Vontade se torna Una, com força-impulsão do Universo. Nesse caso o corpo humano se tornará um receptáculo das energias do universo que poderão ser dispersadas, conforme a sua vontade, cujo limite estará dentro no seu desenvolvimento capacitativo mental. Assim simplificamos o pensamento de Sócrates dizendo que somos completos ao estarmos em harmonia com a vida, principalmente quando utilizamos os fatos de nossa vida e de outros como fontes de conhecimento, desde que isso nos leve a um autoconhecimento de si mesmo. Devemos ser autênticos e obedecermos aos nossos padrões. Tais padrões deverão nos garantir a nossa preservação. Todos os princípios sempre nascem de experiências, e podem explicar sob outro prisma a maioria dos dilemas da vida. Isto pode soar estranho, mas o fato é que a filosofia não está em absoluto divorciada das teorias sociológicas e científicas modernas. Muito pelo contrário, carregam também uma similaridade impressionante com esta, a ponto de surgirem cada vez mais novas teorias que tentam explicar a natureza humana e suas origens.
A compreensão da alma humana afeta profundamente as propriedades materiais ou físicas em nosso interior, cujas descobertas frustrariam de muitas maneiras a corrente cética da ciência moderna. O que muitos ainda não compreenderam, e que Sócrates compreendia isso muito bem, é que a grande alavanca da compreensão da psique interior está na compreensão da inter-relação humana. A natureza da alma é a luz, e a luz é a própria propagação do éter cósmico nos planos de manifestação.
Mas, de que forma os conceitos “Socráticos” podem nos ajudar no que concerne a nossas vidas?
Vamos por analogias. Imaginem um pêndulo cujo fluxo de movimento oscila impulsionando o movimento seguinte. Vamos chamar este movimento de freqüência natural. Agora imaginem que a maiorias de coisas têm uma freqüência natural em que quando vibrem em sintonia a chamemos de freqüência harmônica. Agora pensemos num simples balanço do parque. Se eu empurro o balanço de forma precisa e direita, a energia no balanço acumula. Se eu empurro num momento errado, a energia do balanço começa a ficar reduzida. Ora, um dos principais elementos que vão de encontro com a nossa existência ou potência física é a conservação de energia. Nós sabemos que o cérebro não pode produzir muito muita potência por si só, e precisaríamos de uma alta potência para exibir, por exemplo, um movimento telecinético, por exemplo. Por outro lado, qual a transformação que não necessita quantidades enormes de energia? Simplesmente todas, e toda conservação de energia é registrada no cérebro com uma mudança no seu estado eletroquímico.
Ora, segundo este conceito, até que ponto podemos provar que são verdadeiros os princípios que viemos demonstrando? Simplesmente, podem vocês aplicá-los praticamente, não só em seus assuntos pessoais, mas, também aos problemas sociais da atualidade? Devemos lembrar que nós não devemos ser seres limitados. Todos nós temos uma relação que compõem a sociedade humana. Se limitarmos nossa concepção a meros seres materiais, tal como o corpo orgânico e suas exigências físicas, então não estaremos concebendo o ser humano no verdadeiro sentido filosófico, místico e cósmico. Imaginemos que sejamos duas pessoas com nossas Vontades, e neste caso se minha vontade é ajudá-lo, ou seja, ela foi imposta, emitida, enviada, acesa. A sua vontade, então, deveria ser: aceitar essa mudança, de corpo, coração e alma. Do contrário, a sua atitude e negatividade lhe destruirão mais do que qualquer empecilho. A continuidade de fatos desagradáveis e contínuos é o reflexo de uma energia estagnada. Essa energia na mente de um homem faz com que ele realize atos impensados. Coloquemos neste ponto que cada um de nós pensa em si mesmo como um ponto focal ou um centro de atividades que se desenrolam ao nosso redor. E de certa forma não é difícil indicar que, automaticamente, cada indivíduo considera a si mesmo, seus interesses e desejos, mais importantes do que os dos outros.
Como podemos formar uma sociedade, se cada qual tiver unicamente seu evidente interesse egocêntrico? Além disto, não deveríamos primeiro pensar no que significa sociedade - ou por que afinal uma sociedade? Se partirmos de cada um de vocês, individualmente, talvez cheguemos a uma resposta. Será que vocês são capazes de prover ou satisfazer todas as suas necessidades? Será que poderiam manter a nossa psique feliz e, no entanto, ser independentes de todas as outras pessoas? Pois bem, aqui está uma questão que é tanto mística como filosófica: Os homens formam a sociedade em função de certas necessidades e certos interesses comuns que os unificam, mas será que a própria sociedade não tem algo a ver com a criação do homem, isto é, uma influência decisiva sobre ele? Essa união é para cada ou para com o indivíduo? Digamos que num círculo representa a sociedade, a nação ou o Estado formado pelo homem. Trata-se de uma entidade que o homem deu existência. O poder coletivo de que a sociedade é dotada pode ser por ela transformado em idéias, princípios, políticas e leis, que se irradiam e se difundem de volta aos indivíduos. Vamos considerar esta questão da seguinte maneira: O material com que a sociedade trabalha é apenas aquilo que cada ser humano nela introduz. Isto constitui o seu poder, um poder maior do que o de cada indivíduo. Mas, a sua finalidade, o uso que a sociedade faz desse poder, não pode se elevar acima ou ter valor maior do que aquilo com que os indivíduos tenham contribuído coletivamente para a sociedade. Por exemplo, se tudo o que o homem deseja fazer é organizar outros homens numa sociedade com o fim de defesa mútua da fraqueza individual, então não temos mais do que uma sociedade organizada para fins militares ou de defesa, como, por exemplo, a antiga Esparta. Tal sociedade não pode devolver ao indivíduo outra coisa além dessa defesa, em princípio e na prática. Por outro lado, se nós, por meio de harmonização e meditação, chegamos a outras concepções, então podemos ter algo superior para oferecer à sociedade. Podemos chegar à conclusão de que a verdadeira felicidade e a paz entre os homens, coletivamente, dependem de que certas qualidades de sua natureza sejam expressas. Estas qualidades, em pensamento e ação, têm de ser transmitidas pelo indivíduo à sociedade, ou seja, à mente dos outros indivíduos de que a sociedade consiste. Tal sociedade, tal conjunto unificado de mentes, reflete-se então na espécie de cultura, na moral, no caráter e no idealismo, sobre o indivíduo. Torna-se uma motivação muito maior para estes objetivos do que aquilo que o indivíduo ofereceu isoladamente.Os pensamentos de Sócrates soavam com forte teor revolucionário, porém apenas no campo das idéias e das concepções. Criticava fortemente as leis escritas, as idéias, a religião, e principalmente o modo de vida grego afirmando sobre uma forma de embotamento do desenvolvimento cultural do ser humano. Suas idéias soavam tão fortemente que começava a ter adeptos principalmente ente os mais jovens. Assim Atenas começou a entender Sócrates como um subversivo e perturbador da ordem social. Ele acreditava ter sido encarregado por Apolo de uma missão sagrada, a de levar o homem ao autoentendimento e ao autoconhecimento. Creio que o principal ponto da influência de Sócrates para o Ocidente, foi a maneira que ele buscava para interpretar a vida, com a preocupação de que junto ao conhecimento, houvesse também a virtude. Assim explicava que para atingir o autoconhecimento o homem precisa da dialéctica, do diálogo, dos questionamentos e da busca pelas respostas.
Explicava que cada um deveria empreender uma jornada para conhecer a si próprio, onde só à partir daí alcançaria o conhecimento. Cada um deve, desenvolver em si as suas opiniões e procurar defendê-las.
Conheça a ti mesmo e entenderás os mistérios da criação e de tudo que está a sua volta. Por exemplo: De onde veio o homem? Para onde vai? O que é o homem? São questões que ninguém supostamente respondeu, ou se respondeu, não teria sido ainda de forma satisfatória.
Assim, Sócrates adotava sempre o diálogo, por exemplo, assumindo a atitude do aprendiz multiplicando os questionamentos para colher inúmeras respostas, ou questionando o adversário presunçoso até que ele caísse em contradição, constrangendo-o, para que se tornasse réu confesso de sua ignorância.