quarta-feira, 25 de maio de 2011

O Poder Coletivo

por Francisco Marengo

O Poder Coletivo parte da coletividade, da sociedade e das suas necessidades. Claro que ele é composto por idéias, princípios sociais e políticos, e até mesmo de projetos de leis. Atualmente, temos um poder coletivo achatado. O Poder Coletivo entra em choque com os interesses do Estado, quando o Poder do Estado excede em abusos. Muitos políticos atuais nada mais são do que o eco de vozes interiores recorrentes, cascorões vazios, que falam mais por instinto do que conscientemente. Temo que no seu íntimo se fazem crer na impossibilidade do reerguimento da Política totalmente livre da corrupção, bem como, da sua convalescença de males interiores por meio de partidos com o caráter dos até então existentes. Necessitamos de uma ânsia por alguma coisa nova do que uma irrealidade inútil.

Há muito o que fazer, porém pouco ou nada foi feito. Em tudo sentimos o sinal de uma aspiração de todos. Tudo o que vemos hoje no cenário político nacional são grandes  contradições. Somos um país com tantas riquezas naturais, formados por um povo que de maneira pacífica soube sempre enfrentar os seus problemas internos com grande criatividade. Todos os órgãos de classe, Ong´s, organizações culturais, deveriam ter o poder de opinar, de emanar coletivamente sobre a política do Estado, com a vantagem de em sua maioria não estarem ainda fossilizados como muitos partidos políticos que não passam hoje de  "organizações deterioradas".  

Se a sociedade souber emanar o Poder Coletivo de uma verdadeira atividade individual e abnegada, ou de forma coletiva bem dirigida a busca de soluções dos problemas sociais, ainda poderemos em maior menor ou maior movimento político, coduzir a sociedade e o Estado pelo reto caminho. Pois é na base que se pode ainda determinar o caráter objetivo e os métodos da organização, o que não se poderia pensar em fazer tratando-se dos grandes partidos e organizações existentes que foram contaminadas pelo exercício do poder político corrompido. Quanto mais eu reflito sobre o assunto mais cresce em mim a convicção de que justamente a somatória de diversos movimentos sociais, ainda que pequenos, poderão ser preparados para o reerguimento da Nação, e nunca através dos atuais partidos políticos e seus parlamentares, presos a velhos preconceitos ou mesmo dependentes dos favores e proveitos, do clientelismo e da corrupção com muito raras exceções.

Uma pequena citação: "O maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam." -Arnold Toynbee.

O problema é para uma análise de grande profundidade. O Estado pode temer apoiar organismos sociais em cujo Poder Coletivo instituído possa fazer frente aos desmandos políticos, de forma que tais organismos sociais se condicionem simplesmente a "comer pelas beiradas" já que não possuem força legal ou política. Se o Poder Coletivo for direcionado a buscar valores que estejam acima do bem individual ou comum, teremos um Poder que deixa de ser coletivo e passa a ser autoritário. Por exemplo, todos sabemos que o Brasil carece de incentivo ao desporto para tirar as crianças das ruas, a saúde, a educação, a cursos técnicos profissionalizantes. 

A somatória de sugestões para a solução desses problemas será criada de forma individual porém sabendo que não basta termos o incentivo às práticas esportivas se a educação e a saúde são deficitárias. Assim, cada indíviduo contribuirá intelectualmente com mais proficiência na sua área de atuação, e buscará de forma social ou com o apoio da coletividade, criar um Poder Coletivo capaz de buscar junto ao Estado e a sociedade a solução desses problemas. 

Poderia exemplificar em tom alegórico, que não adianta tratar unicamente do leito de um rio para sua despoluição, se seus afluentes não forem antes tratados. Os males devem ser tratados em sua origem, diretamente no âmago do problema para a sua solução. Se o Poder Coletivo for criado de forma a abafar o indivíduo, se o diálogo for cerceado, o indivíduo perderá o interesse pois suas idéias poderão não ser ouvidas e discutidas. O Poder Coletivo não pode se equiparar ao Poder do Estado. O Poder Coletivo deveria nascer no seio da coletividade amparado pela dialética, pelo diálogo comum, com a clara exposição das idéias na busca de soluções.  

Um comentário:

  1. Belo texto!Parabéns pela coerência!
    No Brasil o coletivo não há, interesses individuais sempre estão em primeiro lugar, uma pena para nós e o sentimento de impotência paira no coração de quem assiste e nada pouco pode fazer.
    Abraços,
    Carmo

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